PM em ‘bico’ também vai prender e multar
Armados e fardados, os policiais militares que fizerem parte do projeto "bico legalizado" vão poder multar motoristas e fazer prisões em flagrantes em Rio Preto.
Fiscalizar bares, restaurantes, o camelódromo, comércio de ambulantes, lan houses e mototaxistas são algumas das outras atribuições que os militares deverão desenvolver quando estiverem a serviço da prefeitura.
A atividade delegada, como o bico é chamado formalmente, é uma parceria entre a PM e a prefeitura. A lei que regulamenta o "bico" foi publicada nesta quarta-feira (14) no "diário oficial do município", mas a data para começar de fato ainda não está definida.
O coronel Ivano Pedro Rodrigues, comandante do 52º Batalhão da Polícia Militar na cidade, disse nesta quarta-feira (14) que será montada uma comissão com representantes do município e da polícia para definir as atribuições dos policiais, o horário de trabalho e quantidade de PMs que vão ser contratados.
"Não temos como saber quantos policiais vão se oferecer para a atividade delegada. O trabalho não é obrigatório, mas sim voluntário", disse o coronel.
Em Mogi das Cruzes, onde a atividade já está em funcionamento há quatro meses, 40 policiais aderiram ao projeto até o momento. O motivo é a baixa remuneração. Lá, o policial ganha R$ 7 por hora trabalhada.
Em Rio Preto, o valor a ser pago varia R$ 9,50 a R$ 15,80 a hora. Mesmo a remuneração sendo maior que em Mogi, policiais ouvidos pelo BOM DIA afirmam que não vão abandonar os bicos na iniciativa privada , considerados ilegais, para trabalhar para o município.
"Eu ganho em média R$ 100 por noite como segurança de casa noturna. A troca não compensa nem de longe", disse nesta quarta-feira (14) um soldado, que pediu para não ser identificado.
Folga /Os policiais só poderão prestar serviços à prefeitura em horário de folga. A carga horária será de no máximo de 96 horas por mês. A cada dia trabalhado, o policial terá dois de folga.
"Acreditamos que a atividade delegada vai contribuir para que o policial abandone o bico ilegal, que é proibido pela corporação", disse o coronel.
O comandante diz que o policial não será deslocado para atender ocorrência de rotina no período em que estiver a serviço da prefeitura. "Mas é claro que se ele se deparar com alguma situação que envolva um crime, o policial não pode deixar de fazer sua obrigação", disse. .
Comandante de Mogi diz que violência caiu
O coronel José Francisco Braga, comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana de Mogi das Cruzes, afirma que a violência no município diminuiu depois da implantação da atividade delegada. Furto de veículos foi o crime que mais teve queda.
"O projeto está funcionando há apenas quatro meses. A adesão dos policiais caminha lentamente, mas mesmo assim estamos conseguindo resultados positivos para a segurança da cidade", disse nesta quarta-feira (14) o coronel.
Segundo o comandante, os policiais atuam com maior frequência na fiscalização do comércio informal. "A população está gostando do trabalho."
A atividade delegada também foi implantada em São Paulo. Outras 14 cidades do estado estudam o projeto. Na região, a proposta está em discussão em Mirassol, Bady Bassitt, Potirendaba e José Bonifácio.
Cidades como Sorocaba, São José do Campos, Salesópolis e Guararema também devem aderir ao bico legalizado.






