Especialistas explicam vulnerabilidade de shoppings a assaltos
Diante de mais uma tentativa de roubo a um shopping de São Paulo nesta quarta-feira (6), especialistas consultados pelo R7 apontaram a falta de seguranças como principal vulnerabilidade desses centros comerciais. Segundo eles, a maioria dos shoppings da Grande São Paulo usa com atendentes parte do dinheiro que deveria ser colocado na segurança. Assim, são contratadas pessoas que não têm treinamento adequado para lidar com situações perigosas. Vestidos com ternos escuros, elas dão a impressão aos clientes de que fazem parte da equipe de proteção, mas não possuem autorização para isso.
Na tarde de quarta-feira, três criminosos roubaram a joalheria Mont Blanc do Morumbi Shopping, na rua Roque Petroni Júnior, zona sul de São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, os três bandidos levaram canetas, joias e quatro partes de abotoaduras (os pares não foram levados). Dois suspeitos foram presos em flagrante, mas um conseguiu fugir.
A Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) nega a "figuração" no esquema de proteção desses locais e diz que os principais shoppings de São Paulo contam com sistemas profissionais de segurança. Por meio de nota, a associação informou que "seria uma atitude, no mínimo, irresponsável desses empreendimentos, colocar em risco a segurança de lojistas e consumidores, com pessoas totalmente despreparadas para cuidar da segurança de um centro de compras que, na capital paulista, recebe milhões de pessoas todos os meses".
O presidente da Suhai Segurança Personalizada, Marco Suhai, compara os atendentes de shoppings a porteiros de prédios.
- Aquelas pessoas que você pensa que são seguranças, são só controladores de acesso. [Servem] só para dar uma sensação de segurança. É igual a um porteiro, que não tem treinamento [para lidar com situações de risco].
Os especialistas, que ao fazerem a análise não levaram em conta nenhum estabelecimento específico, dizem que, apesar da suposta "figuração", a maioria dos shoppings contrata empresas de segurança. Para Ademar Barbosa, diretor executivo da firma de segurança Verzani & Sandrini, muitas vezes há um desequilíbrio nessas funções.
- Tem shoppings com pouquíssimos vigilantes e muitos atendentes.
Como dificultar roubos
Para os consultores, os shoppings acabam contratando atendentes, e não vigias, por uma questão de custo. O salário de um vigilante treinado, com autorização de porte de arma, é até 40% maior do que o de um funcionário sem treinamento. Barbosa diz que três fatores podem dificultar a ação de bandidos em shoppings:
- Colocar lojas que trabalhem com produtos caros mais longe das saídas e entradas;
- Posicionar vigilantes perto de lojas que podem atrair a atenção de criminosos;
- Instalar câmeras de segurança fixas na entrada dos estabelecimentos.
Cuidados
Apesar dos assaltos ocorridos neste ano, Suhai afirma que os shoppings ainda são locais seguros, mas que pedem atenção. Segundo ele, é importante ter o mesmo cuidado das ruas dentro desses centros comerciais.
- No shopping, as pessoas relaxam, e o bandido aproveita.
Saques em caixas eletrônicos exigem o mesmo cuidado, de acordo com Suhai.
A avaliação do presidente da Suhai Segurança Personalizada é confirmada por Ademar Barbosa, que diz que sua empresa lida, em média, uma vez por mês com tentativas de assaltos a centros de compra.
João Eliezer Palhuca, vice-presidente do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo), alerta para que uma vítima de assalto não reaja. Segundo o especialista, a situação de assalto é muito tensa até mesmo para o bandido, que pode vir a disparar ou esfaquear a vítima como reflexo de desconfiança a algum gesto.
Portanto, a vítima de assalto deve evitar movimentos bruscos ou surpreender o assaltante, como tentar acionar um alarme. Palhuca diz que só pessoas altamente treinadas podem reagir diante de um assalto.






