Shoppings de SP adotam segurança
Do começo do ano até este mês, São Paulo teve 13 assaltos a joalherias e relojoarias dentro de shopping centers. O aumento desse tipo de crime levou os centros de compras a repensarem o sistema de vigilância. A reportagem do R7 percorreu na semana passada os shoppings Cidade Jardim, Campo Limpo, Pátio Higienópolis, Ibirapuera e Santana - que sofreram assaltos neste ano - e percebeu um aumento do esquema de segurança. Em ao menos três deles, vigias com armas protegiam os locais.
No Cidade Jardim, Campo Limpo e Pátio Higienópolis, vigias de empresas privadas com armas na cintura faziam a segurança do lado de fora. Procurado pela reportagem, o shopping Campo Limpo, onde uma joalheria foi assaltada em julho passado, preferiu não comentar as mudanças adotadas. O Cidade Jardim, roubado duas vezes neste ano, não confirmou o uso de seguranças armados, mas afirmou, por meio de nota, que "todas as medidas adotadas seguem os procedimentos legais e critérios empregados na vigilância de outros estabelecimentos do setor privado".
O último assalto a joalheria ocorreu no shopping Pátio Higienópolis em 17 de agosto. Foi o segundo crime desse tipo no ano no estabelecimento. Mesmo antes de acontecer, a administração do local já havia aumentado a segurança. Na sexta-feira (20), seguranças armados estavam na frente e na lateral do shopping. Questionado pela reportagem, o shopping afirmou que "investe regularmente em atualização de profissionais e equipamentos de segurança".
Marco Suhai, presidente da Suhai Segurança Personalizada, diz acreditar que a medida expõe mais os clientes, mas ponderou que o risco depende da postura do profissional.
- A questão de armado ou desarmado não é tão importante. O que temos que ver é como esse vigilante vai atuar, qual o preparo que ele tem. Muitos shoppings escolhem a segurança pelo preço e não pela preparação, pelos cursos que a empresa ofereceu aos seus funcionários. Isso aumenta o risco de ações desastrosas e coloca em risco os clientes.
Para Flavio Sandrini, diretor do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo), o reforço adotado nos shoppings tem como objetivo aumentar a sensação de segurança do cliente, mesmo que isso implique em uma maior exposição à violência. Sandrini não sabe quantificar, mas confirma que aumentou a procura por empresas de segurança privada para atuar em shopping nos últimos meses.
- O segundo semestre deste ano está sendo atípico. Estamos tendo um número um pouco mais agressivo de assaltos. Com isso, os shoppings fizeram uma reavaliação no plano de segurança e procuraram mais empresas para crescer o efetivo.
Tendência
Suhai diz acredita que seguranças armados vieram para ficar nos shoppings. O especialista faz um paralelo com os bancos para traçar um prognóstico do futuro.
- Há dois anos, o shopping era mais seguro. Os bandidos descobriram que é possível assaltar [os shoppings]. E, para se precaver contra isso, a administração reforça a segurança, reagindo a essa realidade. Vai ser que nem em banco.
Procurados pela reportagem do R7, os shoppings SP Market, Ibirapuera, Iguatemi e Santana, onde também foi notado reforço na segurança, afirmaram, por meio da assessoria de imprensa, que têm como política não comentar o esquema de segurança. A postura visa dificultar a ação dos assaltantes.








