Algarve em segurança
Por: José Manageiro, Presidente da Associação dos Profissionais da Guarda
A desastrosa reforma das forças de segurança e alguma incapacidade do MAI para dar resposta à criminalidade que causa maior alarme social têm tornado o recurso à segurança privada um negócio bastante apetecível, assumindo as empresas do sector uma atitude cada vez mais interventiva.
Na Europa, pertinentes questões se têm levantado sobre gestão das instituições policiais em tempo de crise, levando-as a rentabilizar padrões de actuação e suscitando debates que se alargam à justaposição inadequada de interferências com a segurança privada.
Em Portugal, a questão assume cada vez maior relevo, numa altura em que o Governo, confrontado com falta de efectivos, decide, como acontece com o programa ‘Algarve Seguro", instalar nos carros--patrulha plataformas de recepção de alarmes para reencaminhamento das centrais das empresas de segurança privadas. Garante-se a presença de uma patrulha no local onde se dá a activação do alarme, o que é um bom negócio para as empresas, mas pagando o contribuinte a factura. Ao colocar as forças policiais ao serviço das empresas de segurança, o Governo inverte papéis nas funções que compete ao Estado assegurar e destrói o policiamento de proximidade que propagandeou.








