Vigia morto era conhecido por combater gangues
Conhecido como o senhor simpático, que tinha "o apito como arma", o vigia noturno Pedro Eudes de Moura, de 61 anos, assassinado na madrugada desta quarta-feira, no bairro Santa Luzia, era conhecido também por coibir ações de gangue e muitas vezes prender garotos envolvidos em confusão e acionar a Polícia. É justamente com a possibilidade de retaliação que a Polícia trabalha.
"Ele fazia o trabalho dele", disse um morador do bairro, que se identificou como Vagner, de 33 anos. Segundo ele, garotos membros de gangue costumam sair da Vila Dedé para cometer delitos no Santa Luzia. Segundo ele, o vigia era visto "como uma pessoa simpática, que parava para conversar com todo mundo". Porém, quando avistava os garotos causando confusão, os amarrava e chamava a Polícia, que nem sempre aparecia.
Marcos Oliveira, 34 anos, que é vigilante patrimonial , contou que conhecia o vigia há mais de 15 anos e que desde a adolescência é amigo do filho dele. Na manhã de hoje Marcos estava na casa dos familiares do vigia, que não quiseram falar com a equipe de reportagem. O amigo da família conta que ficou chocado com o crime. "Às 4 horas da manhã veio a notícia dessa crueldade", lamenta.
O vigia foi morto na rua Santo André, com dois tiros na cabeça e pelo menos 10 golpes de faca. O crime foi na frente da casa de Hermelinda Paulete, de 68 anos. Ela disse que toma medicação para dormir e não escutou nada . Quando acordou se deparou com a movimentação de policiais e curiosos. "Apesar de já ter vivido muito, a gente fica assustado, com medo", diz. No local em que o vigia foi morto ó sangue foi coberto com areia.
O comerciante Genivaldo Germano, de 44 anos, tem um mercadinho na esquina da Santo André com a Santa Mônica. Ele conta que escutou os tiros, mas teve medo de sair para ver o que era. "Sair na rua essa hora não dá", disse. Segundo ele, cada morador pagava R$ 25,00 para o vigia que, segundo ele, há anos trabalhava no bairro e era bem visto pelos moradores.
O corpo de Pedro permanece no Instituto Médico Legal e ainda não foram definidos os horários e locais de velório e sepultamento.








