Na palma da mão!

Antes que o primeiro especialista em planejamento estratégico, que esteja de plantão, crucifique-me após a leitura desse artigo, por sua notória simplicidade, eu gostaria de deixar bem claro que a idéia principal é passar àquele que não costuma realizar nenhum tipo de planejamento um plano que caiba na palma de sua mão. Algo que o faça lembrar todos os dias o que ele jamais deve perder de vista – as metas para o seu ano. Afinal, tenho visto muitas pessoas que não conseguem chegar a lugar algum justamente por não ter um lugar e prazo definido para chegar.
Embora eu ache que meu método não possa ser aplicado numa grande empresa, pela óbvia variedade de metas, complexidade organizacional e diversidade de variáveis interdependentes, tomei como desafio criar um método de planejamento que coubesse literalmente na palma da mão de qualquer um e fosse facilmente lembrado. Deixo como desafio para um líder com mente mais criativa e audaciosa que a minha aplicar esse método em seu departamento, e conduzir seus subordinados numa mesma direção para um porto seguro e feliz, no final do ano.
Recomendo de imediato focar num objetivo maior e reduzir o número de metas, tornando-as cada vez mais simples, claras, mensuráveis e controláveis. Tomemos como simples exemplo um jovem técnico, chamado João, que embora sempre tivesse vontade de ingressar num curso superior, nunca conseguiu.
Em primeiro lugar, comecemos definindo as cinco principais metas que o conduzirão até um banco universitário (objetivo principal). O que mais impede João de alcançar esse objetivo? Condições financeiras, alguém para cuidar de seu filho, coragem e disposição para começar, tempo para estudar e disciplina para continuar até o final. Definir metas é enumerar quais são os principais problemas e desafios que o afastam de seu objetivo, para depois superá-los.
Em segundo lugar, João deve nomear uma só palavra chave para cada meta e um prazo para alcançá-la. Em outras palavras: dinheiro, babá, atitude, tempo e comprometimento. Claro que ele deve começar pela meta de maior prioridade, aquela que se não alcançada comprometeria todo o plano. Embora muitos achem que seja dinheiro, prefiro começar pela centelha de qualquer nova ação: a atitude. Então, pela ordem: 1-atitude; 2-dinheiro; 3-babá; 4-tempo; 5-comprometimento.
Em terceiro lugar, considerando que temos cinco dedos na mão, associar cada meta a um dedo específico da mão esquerda, começando claro pela meta prioritária no polegar. Se você colocar a palma de sua mão esquerda voltada para seus olhos, facilmente, definirá uma meta para cada dedo, da mesma forma que o João fará. O segredo é tatuá-las mentalmente para nunca mais esquecê-las e verbalizá-las, várias vezes, durante o dia. O líder de um departamento poderia facilmente definir as metas, desenhá-las em uma mão, e colar esse desenho nas paredes, ou mesas, para relembrar cada colaborador do que se espera deles.
Em quarto lugar, vem o principal segredo – foco. Seja o mar, uma canção ou um texto, tudo se constrói facilmente aos poucos, uma gota, nota musical ou letra por vez. Então, vamos dedicar a cada dedo (meta) um tempo para sua execução. Só depois de alcançada poderemos baixá-lo. Um dedo após o outro, uma meta após a outra, avançaremos e conseguiremos, no final do ano, abaixar todos os dedos. O tempo varia de pessoa para pessoa e, principalmente, de meta para meta. O João pode levar um dia, ou um mês, para mudar de atitude e colocar seu plano em ação.
Finalmente, devemos elaborar na palma da mão o que será preciso para alcançar cada meta particular e uma variável para controlar se estamos ou não alcançando cada uma. No nosso caso, o João tem cinco dedos para baixar: mudar a atitude; buscar um crédito estudantil na iniciativa pública (FIES, ProUni) ou privada (bancos); arrumar uma babá ou parente que cuide do filho; achar espaço na agenda para estudo e se comprometer com as aulas e notas.
Tenho certeza de que qualquer pessoa ou departamento poderá alcançar um objetivo definido para o ano, buscando uma meta, ou dedo, por vez. No caso de João, o maior desafio é baixar os dois primeiros dedos. Tenho certeza de que ele não se permitiria deixar de alcançar seu objetivo por não ter coragem, fé e perseverança para baixar o último dedo – comprometimento. E você? Comece já definindo suas cinco metas, depois as tatue em cada dedo, olhe diariamente para a palma de sua mão e você descobrirá como chegar lá.
Por fim, escreva-me para dizer que está baixando um dedo por vez, avançando em direção ao seu objetivo. Mas corra! Não adie esse início. Quero que você vá dormir hoje olhando para cada dedo e sabendo exatamente o que tem de ser feito amanhã para começar a baixá-los. Assim como os controladores de vôos pousam um avião por vez com máxima segurança, você conseguirá baixar um dedo por vez. Ah! O que você faz com a mão direita? Não me venha dar uma de João sem braço. Use-a para atingir o sucesso que tanto deseja. Afinal, uma mão lava a outra!
Seu futuro está na palma de sua mão!!!
Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas para o mercado de segurança eletrônica. Atua como consultor de Marketing, Vendas e Estratégia Empresarial para as empresas do ramo de segurança. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Conferencista em eventos realizados pela FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança eletrônica e privada do país. Articulista no Jornal da Segurança e SegNews, nas revistas Proteger, Venda Mais, Infra, Segurança&Cia, SESVESP, Security, Higi Press (ABRALIMP) e Negócio Fechado (Japão). Autor do livro: Vendendo Segurança com SEGURANÇA. E-mail:
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